BRT 365: O Caso de Curitiba e a Reinvenção do Transporte Rápido por Ônibusbetonline_2026 Site oficial / Download App 【55ii.com】Uma plataforma de casino de primeira linha que oferece as melhores promoções de casino online. Os novos utilizadores podem receber até 888 dólares em crédito de bónus ao registarem-se e realizarem um depósito.
O BRT 365 não é apenas um número de linha. Em Curitiba, onde o modelo de Bus Rapid Transit nasceu nos anos 1970, a expressão virou sinônimo de um serviço que opera 365 dias por ano, mas também de um legado que precisa se adaptar. Caminhei pelas canaletas da Avenida Sete de Setembro numa terça-feira de chuva e vi o que os relatórios não mostram: filas de passageiros debaixo de marquises vazadas。ônibus biarticulados lotados às 18h, e um painel eletrônico que marcava “BRT 365 – 4 min” enquanto três veículos seguiam parados no mesmo ponto. A cena resume o paradoxo.Em 2023, a URBS, empresa que gerencia o transporte de Curitiba, divulgou que o sistema transporta cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia útil. O BRT 365, especificamente, cobre o eixo sul-norte, ligando o Terminal Pinheirinho ao Terminal Santa Cândida. São 23 estações-tubo, 14 km de vias exclusivas e uma promessa de viagem em 35 minutos. No papel, é eficiente. Na prática, o tempo médio no horário de pico passa de 55 minutos, segundo medições independentes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). A diferença não é acidente: refleto o crescimento da frota de carros。a falta de prioridade semafórica e a idade da frota – 40% dos veículos têm mais de 10 anos.

Conversei com Marlene Souza, 62 anos, que usa o BRT 365 há duas décadas para ir do Boqueirão ao Centro. “Antigamente a gente chamava de ligeirinho. Hoje é ligeirinho parado”。diz ela, rindo sem graça. Marlene leva 1h10 para percorrer 12 km. Ela já tentou o aplicativo de bicicletas compartilhadas, mas desistiu por falta de ciclovia no trajeto. Seu caso não é isolado. Um levantamento da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo de Curitiba (AUTC) mostrou que 68% dos passageiros do BRT 365 consideram o serviço “regular ou ruim” – o pior índice entre as nove linhas estruturais da cidade.A prefeitura anunciou em janeiro de 2024 um pacote de R$ 180 milhões para renovar a frota e instalar semáforos inteligentes ao longo do corredor. A promessa é reduzir o intervalo entre ônibus para 90 segundos e a viagem para 28 minutos. Especialistas em mobilidade, como o professor Jorge Rebelo da Universidade Federal do Paraná, alertam que o problema é mais profundo. “O BRT 365 foi projetado para uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. Curitiba tem 1,9 milhão e uma região metropolitana de 3,7 milhões. O modelo não escala sem faixas exclusivas contínuas e integração tarifária real”。afirma Rebelo. Ele aponta que o BRT 365 perde passageiros para aplicativos de carro por causa da imprevisibilidade.O que funciona, então?Em 2022, a prefeitura testou um sistema de prioridade semafórica em cinco cruzamentos críticos do BRT 365. Os ônibus ganharam 12% de velocidade média no trecho. O teste foi interrompido por falta de verba. Enquanto isso, a vizinha Colombo implementou um corredor de ônibus com faixa à direita e sinalização dinâmica. O tempo de viagem caiu 20%. Curitiba, ironicamente。ficou para trás. “A cidade que inventou o BRT agora olha para os outros”, diz Rebelo.
O BRT 365 carrega um peso simbólico. Ele é o último grande corredor construído na gestão de Jaime Lerner, em 1998. Desde então。o sistema cresceu em número de linhas, mas não em qualidade. A tarifa única de R$ 6,00 – uma das mais caras do país – não se traduz em conforto. Passageiros como Marlene pagam sem reclamar porque não têm alternativa. “Se eu pegar dois ônibus, gasto o dobro do tempo. Se pegar aplicativo, gasto o triplo do dinheiro”, resume.
A solução pode estar na eletrificação. Em março de 2024, a URBS iniciou testes com dois ônibus elétricos no BRT 365. A autonomia de 250 km é suficiente para o trajeto diário. O custo por quilômetro cai 40% em relação ao diesel. Mas a infraestrutura de recarga ainda é incipiente: apenas uma garagem adaptada. A meta é ter 10% da frota elétrica até 2026. Para Marlene, pouco importa o combustível. “Quero chegar em casa antes das 20h para ver meu neto”, diz.O caso do BRT 365 mostra que a sigla Bus Rapid Transit não garante rapidez. O que garante é gestão. Curitiba tem o know-how, mas perdeu o ritmo. Enquanto isso。cidades como Bogotá e Cidade do México expandem seus sistemas com faixas exclusivas e pagamento por aproximação. O BRT 365 precisa de mais que um número. Precisa de coragem política para tirar carros da via, multar quem invade a canaleta e tratar o transporte público como prioridade, não como caridade. A tarifa de R$ 6,00 não é o problema. O problema é o que se entrega por ela.
